Inpe monitora óleo por satélite e afirma que material pode chegar ao Espírito Santo e ao Rio

Inpe afirma que atua para detectar movimentação e indicar locais com óleo


02 de Novembro de 2019 | 08h02

O Instituto de Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com sede em São José dos Campos, informou nesta sexta-feira (1°) que o óleo que atinge o litoral do nordeste pode chegar aos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. O órgão foi acionado pelo comitê de crise do governo federal e atua para detectar movimentação e indicar locais com óleo no mar.

De acordo com o oceanógrafo Ronald Souza, que lidera o grupo de pesquisas, a hipótese é de que haja muito mais óleo em oceano aberto e há possibilidade desse material avançar pela costa brasileira e chegar ao Espírito Santo e ao norte do Rio de Janeiro. O relatório foi entregue pelo grupo de estudo à Marinha na tarde desta sexta-feira (1°).

“A hipótese do Inpe é de que há óleo em oceano aberto e que pode chegar até a costa de outros estados do país, incluindo o sudeste”, disse em entrevista coletiva.

Apesar disso, o oceanógrafo classificou como remota a possibilidade do óleo chegar a São Paulo por causa de características geográficas da costa brasileira.

"A corrente original fica muito mais longe da costa [de São Paulo] do que de Cabo Frio para cima. É uma proteção natural", explicou.

Ronald afirma que o Inpe foi acionado oficialmente pelo governo federal na última sexta-feira (25), quando foi emitida uma carta solicitando a cooperação com o comitê de crise que atua no caso. Ele afirma que o objetivo do órgão é monitorar o óleo e indicar para as autoridades onde há a presença do material.

"Estamos mapeando com o satélite essas áreas predeterminadas e desenhando mapas para que os navios de pesquisa possam ir a esses locais e identificar se há uma massa de óleo e então retirar isso”, explicou.

As informações sobre os detalhes do navio, sua carga e trajetória foram fornecidos pela agência de geointeligência Kpler, a pedido do G1, com base nos dados da Operação Mácula, desencadeada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (1º). A embarcação Bouboulina passou a oeste da Paraíba em 28 de julho, segundo um porta-voz da agência.

As investigações do governo brasileiro apontam que a primeira mancha no oceano foi registrada em 29 de julho, a 733 km da costa da Paraíba. As primeiras praias do país afetadas foram no município paraibano de Conde em 30 de agosto.

O navio Bouboulina e a empresa grega dona da embarcação foram citados na decisão judicial que autorizou o pedido de busca e apreensão em escritórios no Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, 2,5 mil toneladas de óleo foram derramadas no oceano.

A proprietária do navio é a Delta Tankers, fundada em 2006, mesmo ano de fabricação do navio. A empresa Delta Tankers declarou que as autoridades brasileiras que investigam o derramamento de petróleo no litoral nordestino não a procuraram, segundo a agência de notícias Reuters

De acordo com o delegado Agostinho Cascardo, a Marinha do Brasil apurou que, em abril, o navio grego ficou retido nos Estados Unidos durante 4 dias por causa de problemas no filtro de descarte da embarcação.

O petroleiro é do tipo Suezmax, e sua capacidade máxima é 1,1 milhão de barris. Considerando o valor atual de mercado do petróleo, o carregamento vale cerca de US$ 66 milhões. As 2,5 mil toneladas que vazaram na costa brasileira equivalem a quase três milhões de litros.

Fonte: G1

 

 


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