Mensagens de Orlando Curicica revelam elo da milícia com batalhão de Jacarepaguá

Nos diálogos, Orlando e seus comparsas mencionam o pagamento de propina a PMs da unidade


09 de Junho de 2019 | 09h27

Mensagens encontradas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público no celular do miliciano Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, escancaram as relações promíscuas entre o batalhão de Jacarepaguá, o 18º BPM, e o grupo paramilitar que domina o bairro. Nos diálogos, Orlando e seus comparsas mencionam o pagamento de propina a PMs da unidade, a venda de armas apreendidas em operações por policiais à milícia e até avisos prévios do grupo paramilitar ao batalhão sobre áreas que seriam invadidas pela quadrilha.

As mensagens foram trocadas por Orlando e seu bando em outubro de 2017. À época, o comandante do 18º BPM era o coronel Rogério Figueredo, atual secretário de Polícia Militar. Os diálogos fazem parte da investigação que culminou na Operação Entourage, que levou 18 comparsas de Orlando à cadeia.

Numa das conversas, Orlando determina a um comparsa, identificado como o PM Leandro Marques da Silva, o Mingau, o pagamento de R$ 12 mil a uma ala do Grupamento de Ações Táticas (GAT) — policiais responsáveis pelas ações operacionais — do batalhão. Segundo Curicica, o valor seria referente ao “arrego mais a peça”. O miliciano explica: a quadrilha havia comprado uma pistola calibre .40 e munição para fuzil que foram apreendidos pelos PMs durante uma operação.

O comparsa alerta o chefe que um policial estava reclamando, num áudio enviado à quadrilha, sobre atrasos no pagamento da propina. “Meia hora de polícia. Porque é GAT do 18 acha que é esperto”, escreve Mingau. Orlando responde que o pagamento para “a ala da pistola não vai seguir atrasado, não”.

As conversas também indicam que o GAT do 18º BPM fazia vista grossa para invasões de comunidades. PMs eram avisados sobre ataques e recebiam orientação para não agir. Em outubro de 2017, a milícia se preparava para tomar a Favela do Tirol. Na semana anterior, Felipe Raphael de Azevedo, o Chel, um dos seguranças do grupo paramilitar, disse ao chefe que iria “avisar ao setor e ao GAT no sábado”. A ação estava programada para a madrugada de domingo.

Fonte: Extra


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