Polícia descobre que PM preso tentando vender fuzil montava armas para o tráfico

Outra prova de que o PM não só comercializa armas, mas também as monta foi encontrada em sua carteira


22 de Abril de 2019 | 09h47

A Polícia Civil descobriu que o sargento Fábio Henrique Soares, de 39 anos, preso no último dia 1º tentando vender um fuzil no estacionamento de um shopping na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, é armeiro do tráfico. Depoimentos prestados na 14ª DP (Leblon) por comparsas do PM, lotado no 5º BPM, revelam que foi o próprio policial quem montou o armamento que seria vendido naquele dia. De acordo com os relatos, o sargento procurava atravessadores para que pudesse vender os rifles que montava. Na ocasião, os compradores do fuzil seriam integrantes da facção criminosa que domina parte do Complexo da Maré e a Serrinha.

O sargento Fábio Henrique Soares foi preso no início do mês

O sargento Fábio Henrique Soares foi preso no início do mês Foto: Reprodução

 

Outra prova de que o PM não só comercializa armas, mas também as monta foi encontrada em sua carteira: foram apreendidos vários cartões de visita com contatos de fornecedores de material metálico, molas e parafusos — que seriam usados na montagem das armas. Na última sexta-feira, o Ministério Público do Rio denunciou Soares, os atravessadores Thiago de Oliveira da Silva e Bruno Francisco Castro da Costa e o comprador Welker Iago Cruz Francisco à Justiça pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Em depoimento na distrital, Bruno Francisco Castro da Costa — que estava no mesmo carro que o PM dirigia e onde o fuzil foi achado — alegou que foi procurado por um amigo chamado Bruno Xará, que disse conhecer um "sargento que montava rifles". O interlocutor pediu para que ele encontrasse um comprador para as armas montadas pelo PM. Bruno Francisco, então, entrou em contato com um amigo que poderia ajudar nas vendas: Thiago de Oliveira da Silva.
 

O atravessador Thiago, por sua vez, alegou aos policiais que conseguiu um comprador para o rifle: um amigo, de apelido Felipe da Vila do João. A venda ficou acertada para o dia 1º de abril. Segundo afirmaram à polícia, Bruno e Felipe ganhariam R$ 500 pela transação. No dia da venda, o PM e os dois atravessadores se encontraram em Nilópolis, de onde saíram com a arma em direção ao Downtown, onde estavam Welker e Felipe. No shopping, agentes da distrital que investigavam a quadrilha surpreenderam os criminosos. De acordo com o depoimento de Welker, Felipe conseguiu fugir.

De acordo com a polícia, o fuzil seria vendido por R$ 60 mil. A arma era equipada com bipé, luneta e um ferrolho especial — acessórios utilizados por atiradores de elite.


Soares foi o segundo policial militar preso só em 2019 acusado de montar armas para traficantes. Três semanas antes da prisão no shopping, o sargento aposentado Ronnie Lessa foi preso pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Num endereço ligado ao PM, agentes da Polícia Civil e do MP encontraram 117 fuzis desmontados. Em outro imóvel alvo de um mandado de busca e apreensão, foram encontrados material para a montagem de armas. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) investiga a relação entre Lessa e traficantes de diversas facções do tráfico que atuam no Rio.

 

Fonte: Extra/Globo


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