População de rua cresce em Campos e gera preocupação na área central da cidade

Área perto do Mercado é um dos lugares que abriga mais moradores de rua


14 de Fevereiro de 2019 | 18h23

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O número de moradores e pessoas em situação de rua tem crescido drasticamente em Campos nos últimos anos. Seja pela falta de emprego em decorrência da crise econômica ou mesmo por problemas pessoais, o certo é que vários pontos na área central da cidade estão sendo praticamente tomados. Os arredores da Praça São Salvador, assim como um trecho perto do Mercado Municipal são algumas das áreas com maior número de moradores de rua.

A qualquer hora do dia é possível ver homens, mulheres, jovens e idosos deitados em papelão, pedindo dinheiro ou comida. Não se sabe o número exato de pessoas que estão nessa situação em Campos. Mas, acredita-se que seja aproximadamente 200 pessoas pelas ruas da cidade.

A migração é principal causa para o aumento da população de rua em Campos. A maioria dessas pessoas vieram para o município campista vindo de outras cidades e estados. Muitos chegaram a Planície Goitacá com a promessa de emprego fácil no Porto do Açu, em São João da Barra, mas esbarraram em várias dificuldades.

Em Campos existe o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro Pop), que atende em média 50 a 60 pessoas por dia, onde elas recebem até três refeições diária, além de ter lugar para banho, entre outros serviços. Mas, se contar também pessoas que passam pelo local apenas para usar o banheiro ou lavar roupas, esse número pode chegar a 100 por dia.

Um equipe do Centro Pop faz abordagem diárias a pessoas nessa situação e muitas são cadastradas. Em alguns casos são encaminhadas para a Superintedência de Trabalho e Renda, porém a falta de qualificação profissional se torna mais um obstáculo. 

Outro dado importante e preocupante é que a maioria das pessoas que estão nas ruas tem algum envolvimento com álcool ou drogas, o que dificulta o acolhimento delas, seja pelo poder público ou por ajuda de pessoas físicas. Fatos relacionados a crimes, como assaltos, criam uma barreira a mais. Neste ano, no dia 11 de janeiro, um morador de rua foi assassinado a facadas dentro de uma quadra de esportes embaixo do viaduto Leonel Brizola, no Centro. Seis dias depois, um morador de rua de 17 anos e outro de 29 anos, foram detidos suspeitos de terem furtados cadeiras no Colégio Eucarístico. O colégio fica a menos de 100 metros do Centro Pop.

Alguns moradores de rua contaram que vieram de outras cidades com ajuda da prefeitura do local de origem. Há relatos até de que uma van chegou a Campos no final do ano passado com diversas pessoas.

Para muitos pedestres, uma ação mais contundente da prefeitura deveria ser feita para tentar reduzir esse dado. "Emprego está difícil para todo mundo. Então eu acredito que deveria fazer uma ação com a justiça para levar essas pessoas para as cidades onde eles têm parentes", afirmou um aposentado que não quiz se identificar.

Já um taxista que tem ponto na Praça São Salvador contou que as ações de igrejas e da prefeitura podem até ajudar, mas não são suficientes. "Algo deve ser feito de concreto e que traga resultados. Só dar sopão, cobertor e falar de igreja não resolve. A situação está ficando cada vez pior. Trabalho aqui diariamente e parece que cada dia que passa chega uma pessoa diferente para dormir na rua", ressaltou o taxista.


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