PF prende advogado acusado de orientar destruição de provas de suposto esquema envolvendo Pezão

De acordo com o MPF, a atuação irregular do advogado foi descoberta durante o cumprimento dos mandados da Boca de Lobo


10 de Dezembro de 2018 | 17h44

O advogado Tony Lo Bianco, da empresa Kyocera, foi preso na manhã desta segunda-feira pela Polícia Federal, acusado de ter orientado a destruição de provas do suposto esquema criminoso envolvendo o governador Luiz Fernando Pezão. A prisão preventiva foi requerida pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e foi determinada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Felix Fischer, neste domingo.

A Kyocera é uma das empresas que integram o consórcio responsável pela iluminação do Arco Metropolitano, orçada em mais de R$ 96 milhões, toda com placas de energia solar. Nesta segunda, foram cumpridos ainda mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados a Lo Bianco e também na casa de Sérgio Beninca, que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), tem ligações com o empresário Cézar Amorim, um dos alvos da Operação Boca de Lobo, deflagrada em 29 de novembro.

De acordo com o MPF, a atuação irregular do advogado foi descoberta durante o cumprimento dos mandados da Boca de Lobo. Na petição enviada ao STJ, a procuradora-geral reproduz trecho de um áudio de ligações telefônicas de Tony Lo Bianco a Cézar Amorim.

A ligação acabou sendo atendida pelo serviços de caixa postal de Amorim, já que o empresário tinha sido preso na Boca de Lobo. No recado deixado no telefonema, diz o MPF, Lo Bianco orienta o empresário a pedir para Beninca retirar, com urgência, a documentação da Kyocera de um determinado local.

“Vai complicar o Arco Metropolitano”, diz um trecho do áudio, interceptado por autorização judicial.

Na petição, a procuradora-geral destaca:

“Verifica-se, assim, um quadro de intricadas relações envolvendo membros da Orcrim (Organização Criminosa) e, pior, com a destruição de provas a demonstrar a necessidade da custódia cautelar”.

Pela lei, é prevista pena de três a oito anos de prisão, além de multa, para “ quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa”.

Na Operação Boca de Lobo, o governador Luiz Fernando Pezão e outras oito pessoas foram presas. Entre eles, empresários acusados de integrar o esquema criminoso que causou prejuízo milionário aos cofres públicos. Nesse sábado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou pedido de habeas corpus de Pezão.

 

Fonte: Extra/Globo


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