Universitárias denunciam colegas que incitam estupro e compartilham no WhatsApp - NF Notícias

Universitárias denunciam colegas que incitam estupro e compartilham no WhatsApp

Polícia Civil disse que as vítimas devem ser ouvidas


09 de Agosto de 2018 | 11h23

Quatro estudantes da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, registraram boletim de ocorrência na Divisão de Proteção e Repressão a Crimes Tecnológicos (DPRCT) contra pelo menos dois integrantes de um grupo no WhatsApp que incitaram estupro e compartilharam imagens íntimas de colegas, além de terem enviado mensagens de cunho racista e homofóbico.

Protestos foram realizados no campus nos últimos dias, pedindo que eles sejam expulsos. Nos prints compartilhados nas redes sociais, é possível ler frases como "Bora logo meter o estupro", seguido por risadas e uma resposta: "Estupro não. Sexo surpresa". Mas as acusações não param por aí. Comentários racistas também apareceram em meio às conversas: "Tô querendo comprar um anão, acho que branco deve tá caro. Um negro deve ser mais barato"

Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, contou que a incitação ao estupro foi diretamente para ela e uma amiga, sobre quem um dos alunos disse que "meteria com surpresa".

A jovem, que está recebendo apoio psicológico da UFRA, junto com outras alunas, frisou que não hesitou em registrar um boletim de ocorrência na polícia. Sua indignação também foi gerada por conteúdo racista dito no grupo de WhatsApp. Sobre os pedidos de expulsão dos autores das mensagens, a vítima contou que as alunas atingidas estão buscando, neste momento, auxiliar a polícia nas investigações e, depois do processo civil, vão cobrar medidas da instituição contra os jovens.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Pará, as vítimas devem ser ouvidas pela polícia. Elas também levarão seus celulares, onde estão as conversas.

Em nota, a UFRA disse que “Repudia veementemente as ações e mensagens de apologia a crimes previstos na legislação brasileira que foram divulgadas por meio digital, pelos quais incorrem em comentários de cunho capcioso, ilegal e indignos à pessoa humana, além de apresentarem-se inadequados ao ambiente acadêmico equipe psicossocial à disposição das estudantes e já está prestando orientação às mesmas sobre os procedimentos que elas devem tomar para fazer a denúncia e para apuração dos fatos, tanto na esfera administrativa quanto na esfera criminal, pelos órgãos competentes. Assim que formalizada a denúncia, a Universidade tomará todas as medidas necessárias para apurar disciplinarmente o ocorrido. A Universidade repudia todas as formas de agressão, violência, opressão, discriminação, preconceito e constrangimento. Nesse sentido, será célere na apuração dos fatos para as tomadas de decisões administrativas previstas".

 

Fonte: Jornal O Globo


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