Macri busca respaldo político para conter crise na Argentina

Governo chinês o elogia por ter adotado medidas “oportunas e enérgicas”


13 de Maio de 2018

O indiano Anoop Singh ficou surpreso com o nível de informação dos argentinos, durante sua visita a Buenos Aires, em 2002. Na saída do hotel, ouviu o comentário da faxineira que estava limpando a recepção: “La vem o pessoal do Fundo”. Naquela época, ele chefiava a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que mais uma vez vinha resgatar a Argentina de uma crise, mas nunca imaginou que a instituição financeira, com sede em Washington, fosse tão conhecida.

“Na Argentina, termos como FMI e crédito stand-by fazem parte do jargão popular e são sinônimos de ajuste e crise”, explicou o analista político Rosendo Fraga. “O presidente Mauricio Macri pagou um preço político por ter recorrido, esta semana, ao Fundo – uma organização que é rejeitada pela maior parte dos argentinos e inclusive por dois de cada três simpatizantes da coalização governista de centro-direita, Cambiemos. No inconsciente coletivo, FMI e uma má palavra”.

Desde terça-feira (08/05), quando anunciou que iniciaria esta semana negociações para um acordo com o FMI, Macri tem buscando respaldo político interno e externo. Na sexta-feira (11/05), o presidente da China, Xi Jinping, não só manifestou seu “firme apoio” aos esforços do governo argentino, por manter a estabilidade econômica, como também ofereceu ajudar, se necessário. No comunicado, o governo chinês elogia Macri por ter adotado medidas “oportunas e enérgicas” para lidar com os “fatores externos” (aumentos das taxas de juros nos Estados Unidos e do preço do barril de petróleo no mercado internacional), que impactaram vários países emergentes, além da Argentina.

O apoio público de Xi Jinping somou-se a outros do Departamento do Tesouro norte-americano e dos governos do Brasil, do Chile, da Espanha e do Japão – um sinal de que a diplomacia argentina entrou em ação para reforçar o discurso de Macri, de que a Argentina tomou a melhor medida preventiva, para amortecer os efeitos negativos dos “fatores externos”, que escapam a seu controle. Mas os argentinos estão mais preocupados em como isso vai afetar seu próprio bolso.

“Por experiência própria, só sei que cada vez que o dólar aumenta, os preços sobem”, diz o porteiro Carlos Dominguez, de 53 anos. “O FMI, os Estados Unidos e a China podem dizer o que quiserem, o certo é que o dólar continua subindo. E para mim, é isso que importa”. Como milhares de outros argentinos, cada vez que pode, ele poupa em dólares, que guarda em esconderijos, dentro de casa e fora do sistema financeiro. É o que os argentinos chamam de Colchon Bank, ou banco do colchão.

 

Fonte: Agência Brasil


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